Entre a esquerda e a direita existe um espaço intermediário: o centro. É onde ficam ideias e partidos que combinam propostas dos dois lados, conforme o tema, e que costumam dar mais valor à moderação e aos acordos do que às posições firmes de um dos polos.
O que é o centro
Na política, “centro” não é um programa fechado, e sim uma posição relativa: fica no meio do caminho entre o que a esquerda e a direita defendem em cada época. Por isso, o que é considerado “de centro” muda com o tempo e de um país para outro.
Em geral, quem se coloca no centro aceita a economia de mercado e também políticas sociais do Estado, prefere mudanças graduais a rupturas e aposta na negociação entre grupos diferentes.
Centro-esquerda e centro-direita
Entre o centro e os polos há faixas intermediárias. Na escala de 0 (esquerda) a 10 (direita) da pesquisa usada pelo portal para classificar os partidos, a centro-esquerda vai de 3,01 a 4,49, o centro de 4,5 a 5,5 e a centro-direita de 5,51 a 7. De forma geral:
- Centro-esquerda: próxima da esquerda nas prioridades sociais, mas com mais abertura ao mercado e a alianças amplas;
- Centro: equilibra as duas visões conforme o tema;
- Centro-direita: próxima da direita na economia, mas com posições mais moderadas e disposição para negociar.
O que costuma defender
- Equilíbrio entre mercado e Estado: espaço para a iniciativa privada e para serviços públicos;
- Cuidado com as contas públicas, junto com programas sociais;
- Reformas graduais e negociadas, em vez de mudanças bruscas;
- Diálogo e acordos entre partidos diferentes;
- Nos costumes, posições variadas — não há uma linha única.
Assim como na página sobre direita e esquerda, esta é uma descrição geral: partidos e políticos variam muito.
Como o centro é visto
Quem defende o centro argumenta que ele evita extremos, facilita acordos e dá estabilidade a governos e leis, já que dificilmente um lado governa sozinho. Quem critica argumenta que a falta de uma posição clara dificulta saber o que o eleitor está escolhendo e que, na prática, o “centro” pode servir apenas para apoiar quem estiver no poder.
O centro nos partidos brasileiros
Na pesquisa usada pelo portal para classificar os partidos — 519 cientistas políticos ouvidos em 2018 (Bolognesi, Ribeiro e Codato, revista Dados, 2023) —, três partidos ficaram na faixa de centro: Rede (4,77), PPS, hoje Cidadania (4,92), e PV (5,29).
Na segunda rodada da mesma pesquisa, feita em 2022 e publicada em 2026 na revista Opinião Pública, nenhum partido ficou no centro: o PV (4,12) e a Rede (3,69) passaram para a centro-esquerda, e o Cidadania (6,17), para a centro-direita. Segundo os autores, a principal explicação são as federações partidárias formadas para as eleições de 2022 — o PV se uniu ao PT e ao PCdoB; a Rede, ao PSOL; o Cidadania, ao PSDB — e os partidos menores se aproximaram das posições dos parceiros maiores. Os autores chamaram o fenômeno de “desaparecimento do centro ideológico” no sistema partidário brasileiro.
Importante: a pesquisa classifica partidos, na avaliação de especialistas — não pessoas nem eleitores. Os selos de partido do portal usam a rodada de 2018 (veja a Metodologia).
Centro não é Centrão
Os nomes parecem, mas falam de coisas diferentes:
- Centro é uma posição ideológica: onde um partido fica entre a esquerda e a direita.
- Centrão é o apelido de um bloco de partidos no Congresso, conhecido por negociar apoio a governos de orientações diferentes. Não é um partido nem um bloco oficial, e sua composição muda com o tempo.
O nome surgiu na Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988. Segundo o CPDOC/FGV, o Centrão foi um grupo suprapartidário de centro e direita, formado no fim de 1987 com parlamentares do PFL, PMDB, PDS, PTB, PL e PDC, que conseguiu mudar o regimento da Assembleia (Resolução nº 3, de janeiro de 1988) e defendeu, entre outros pontos, o presidencialismo e o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.
Hoje, o termo é usado pela imprensa para grupos de partidos que costumam apoiar governos de orientações diferentes, inclusive com participação em ministérios. Isso se relaciona ao que o cientista político Sérgio Abranches chamou, em 1988, de presidencialismo de coalizão: como nenhum partido costuma eleger maioria sozinho no Congresso, o presidente precisa formar alianças amplas para governar.
Fontes
- Bolognesi, B.; Ribeiro, E.; Codato, A. Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros. Dados, v. 66, n. 2, 2023.
- Bolognesi, B.; Ribeiro, E.; Codato, A.; Silva, B. F. O desaparecimento do centro ideológico no sistema partidário brasileiro. Opinião Pública, v. 31, 2025 (publicado em 2026).
- CPDOC/FGV. Verbete “Centrão”. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro.
- Munhoz, S. R. A atuação do “Centrão” na Assembleia Nacional Constituinte de 1987/1988. Política Hoje, v. 20, n. 1, 2011.
- Abranches, S. Presidencialismo de coalizão: o dilema institucional brasileiro. Dados, v. 31, n. 1, 1988.