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Centro

O que é o centro na política

O espaço entre a esquerda e a direita: o que defende, como é visto, por que quase sumiu dos partidos brasileiros — e por que centro não é o mesmo que Centrão.

Os partidos de centro, 2018 → 2022

Posição média na avaliação de cientistas políticos, numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita). A faixa destacada é o centro (4,5 a 5,5).

  • Rede: 4,77 em 2018, 3,69 em 2022.
  • PPS (hoje Cidadania): 4,92 em 2018, 6,17 em 2022.
  • PV: 5,29 em 2018, 4,12 em 2022.

Fontes: Bolognesi, Ribeiro e Codato (Dados, 2023) e Bolognesi, Ribeiro, Codato e Silva (Opinião Pública, 2026). A classificação é dos partidos, feita por especialistas — não de pessoas.

Entre a esquerda e a direita existe um espaço intermediário: o centro. É onde ficam ideias e partidos que combinam propostas dos dois lados, conforme o tema, e que costumam dar mais valor à moderação e aos acordos do que às posições firmes de um dos polos.

O que é o centro

Na política, “centro” não é um programa fechado, e sim uma posição relativa: fica no meio do caminho entre o que a esquerda e a direita defendem em cada época. Por isso, o que é considerado “de centro” muda com o tempo e de um país para outro.

Em geral, quem se coloca no centro aceita a economia de mercado e também políticas sociais do Estado, prefere mudanças graduais a rupturas e aposta na negociação entre grupos diferentes.

Centro-esquerda e centro-direita

Entre o centro e os polos há faixas intermediárias. Na escala de 0 (esquerda) a 10 (direita) da pesquisa usada pelo portal para classificar os partidos, a centro-esquerda vai de 3,01 a 4,49, o centro de 4,5 a 5,5 e a centro-direita de 5,51 a 7. De forma geral:

  • Centro-esquerda: próxima da esquerda nas prioridades sociais, mas com mais abertura ao mercado e a alianças amplas;
  • Centro: equilibra as duas visões conforme o tema;
  • Centro-direita: próxima da direita na economia, mas com posições mais moderadas e disposição para negociar.

O que costuma defender

  • Equilíbrio entre mercado e Estado: espaço para a iniciativa privada e para serviços públicos;
  • Cuidado com as contas públicas, junto com programas sociais;
  • Reformas graduais e negociadas, em vez de mudanças bruscas;
  • Diálogo e acordos entre partidos diferentes;
  • Nos costumes, posições variadas — não há uma linha única.

Assim como na página sobre direita e esquerda, esta é uma descrição geral: partidos e políticos variam muito.

Como o centro é visto

Quem defende o centro argumenta que ele evita extremos, facilita acordos e dá estabilidade a governos e leis, já que dificilmente um lado governa sozinho. Quem critica argumenta que a falta de uma posição clara dificulta saber o que o eleitor está escolhendo e que, na prática, o “centro” pode servir apenas para apoiar quem estiver no poder.

O centro nos partidos brasileiros

Na pesquisa usada pelo portal para classificar os partidos — 519 cientistas políticos ouvidos em 2018 (Bolognesi, Ribeiro e Codato, revista Dados, 2023) —, três partidos ficaram na faixa de centro: Rede (4,77), PPS, hoje Cidadania (4,92), e PV (5,29).

Na segunda rodada da mesma pesquisa, feita em 2022 e publicada em 2026 na revista Opinião Pública, nenhum partido ficou no centro: o PV (4,12) e a Rede (3,69) passaram para a centro-esquerda, e o Cidadania (6,17), para a centro-direita. Segundo os autores, a principal explicação são as federações partidárias formadas para as eleições de 2022 — o PV se uniu ao PT e ao PCdoB; a Rede, ao PSOL; o Cidadania, ao PSDB — e os partidos menores se aproximaram das posições dos parceiros maiores. Os autores chamaram o fenômeno de “desaparecimento do centro ideológico” no sistema partidário brasileiro.

Importante: a pesquisa classifica partidos, na avaliação de especialistas — não pessoas nem eleitores. Os selos de partido do portal usam a rodada de 2018 (veja a Metodologia).

Centro não é Centrão

Os nomes parecem, mas falam de coisas diferentes:

  • Centro é uma posição ideológica: onde um partido fica entre a esquerda e a direita.
  • Centrão é o apelido de um bloco de partidos no Congresso, conhecido por negociar apoio a governos de orientações diferentes. Não é um partido nem um bloco oficial, e sua composição muda com o tempo.

O nome surgiu na Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988. Segundo o CPDOC/FGV, o Centrão foi um grupo suprapartidário de centro e direita, formado no fim de 1987 com parlamentares do PFL, PMDB, PDS, PTB, PL e PDC, que conseguiu mudar o regimento da Assembleia (Resolução nº 3, de janeiro de 1988) e defendeu, entre outros pontos, o presidencialismo e o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.

Hoje, o termo é usado pela imprensa para grupos de partidos que costumam apoiar governos de orientações diferentes, inclusive com participação em ministérios. Isso se relaciona ao que o cientista político Sérgio Abranches chamou, em 1988, de presidencialismo de coalizão: como nenhum partido costuma eleger maioria sozinho no Congresso, o presidente precisa formar alianças amplas para governar.

Fontes

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